A atual competitividade corporativa, a necessidade de ampliação dos canais de divulgação e venda de produtos, cada vez mais aumenta a necessidade de se migrar os negócios para o mundo digital, on-line, via Internet, ... mas será que isso é SEGURO ?
NÃO, se a empresa deixar de mapear os seus riscos ao qual estará exposta neste cenário, e implementar a segurança adequada, com certeza poderá perder dinheiro, clientes e até mesmo a sua reputação no mercado.
A pesquisa anual “FBI 2005, TENTH ANNUAL CSI/FBI COMPUTER CRIME AND SECURITY SURVEY 2005”, revela os principais tipos de ataques à qual a maioria das empresas está exposta (naquelas onde foi possível a medição...):
Vamos explorar o TOP5 destes, pelo percentual de empresas que admitiram ataques:
· 75% – Vírus : Código/Programa “malicioso” que objetiva danificar, roubar informações ou paralisar sistemas;
· 50% – Abuso de acesso a Rede por pessoal interno : Acesso atribuído indevidamente, ocasionando roubo, destruição ou fraude;
· 50% - Roubo de Notebook ou Equipamento Portátil (PDA - ex: Palm, Celular,...) : Roubo com intenções de revenda de equipamento ou obtenção de informações confidenciais;
· 30% - Acesso Não Autorizado às Informações : Acesso mal-intencionado às informações, invasões, com a finalidade de roubo, destruição ou fraude;
· 30% - Negação de Serviço – DOS (Denial of Service) : Paralisação do sistema alvo, por meio de geração de transações/requisições em número mais elevado do que este sistema pode suportar.
Agora tomemos abaixo alguns exemplos de sistemas de segurança, que quando configurados corretamente e com o auxílio de políticas e procedimentos formalizados de segurança da informação e pessoal devidamente treinado auxiliam MUITO como CONTRAMEDIDAS na contenção destas ameaças.
Anti-vírus
Contramedida a:
Vírus, Acesso Não Autorizado às Informações, Negação de Serviço -DOS
O que faz:
Programa de computador que possui listas das características de vírus conhecidos mundo afora, estas listas são comparadas aos arquivos do computador, e-mails, mídias diversas (CD, Pen Drive, Fitas ...) para a detecção ou remoção dos arquivos infectados.
Como estas listas de vírus são obtidas de diversas bases de conhecimento pelo mundo, e novos vírus aparecem a cada segundo, estas devem ser atualizadas em periodicidade diária e de forma automática.
Como Previne:
O risco de Infecção por vírus é reduzido por meio de especificações/configurações para:
· Atualização automática das listas de vírus.
· Varredura em memória, arquivos e mídias de armazenamento.
· Execução diária agendada nas estações de trabalho e servidores.
· Impossibilidade de alteração destas configurações pelos usuários.
· Processos formalizados para orientar os usuários como proceder em caso de Infecção por vírus. Ex. Acionar área de gestão de incidentes, segurança da informação,...
IPS - Intrusion Prevention System, IDS - Intrusion Protection System: Sistemas de Prevenção e Detecção de Intrusos
Contramedida a:
Abuso de acesso a Rede por pessoal interno, Acesso Não Autorizado às Informações, Negação de Serviço - DOS
O que faz:
Software de monitoramento de tráfego de rede que possui base de dados com informações que possibilitam a identificação de um ataque via rede (interna ou externa) por meio de abordagem :
· Preventiva (IPS): Estudo do comportamento desta rede em condições normais (inteligência artificial) e geração de Alarmes/Avisos aos administradores quando este comportamento é alterado.
· Reativa (IDS): Identificação do ataque em andamento e geração de Alarmes/Avisos aos administradores.
Quando há um intruso (como o Hacker, Cracker, …) tentando acessar a rede por meios não convencionais, vasculhando serviços em busca de obtenção de informações da rede, pacotes, consumindo maior banda e gerando tráfego intenso (tentativa de Negação de Serviço - DOS), enviando grandes quantidades de e-mails (SPAM), estes Alarmes/Avisos possibilitam que os administradores de rede, ou o grupo de resposta a incidentes, possam atuar na identificação destes ataques e acionem em tempo hábil as contramedidas (pró-ativas ou reativas) de contenção.
Como Previne:
Diferentemente do IPS, que monitora a rede por condições particulares com base no histórico do comportamento do tráfego desta (inteligência artificial), o IDS possui algumas características constantes de monitoração por meio de:
Monitoramento de pacotes na rede : “cheirando” (sniffing) o tráfego de rede para a identificação de possíveis ataques de envio demasiado de pacotes cuja rede Alvo fica impossibilitada de processá-los (ocasionando Negação de Serviço – DOS), sendo o hacker, cracker,..., executando o ataque de um único computador ou mesmo através de uma rede internacional de computadores infectados por vírus que realizam este ataque automaticamente.
Verificação de integridade do sistema : monitora os arquivos de sistema para verificar se algum intruso os modificou.
Monitores de Logs : monitora arquivos de log gerados pelos serviços da rede (e-mail, ftp, http, telnet, mysql ...) comparando os registros dos logs à sua lista de exemplos de ataques a qual, como o anti-vírus deve estar sempre atualizada.
Sistemas “Isca” : (ex: honeypots – “uma isca” pote de mel) que criam pseudo-serviços (e-mail, ftp, http, telnet, mysql ...) vulneráveis em uma rede, para enganar e detectar a tentativa de intrusão a esta rede por hackers ou crackers, que podem ser identificados nesta armadilha, sem causar destruição à rede verdadeira.
Firewall: Filtro para Tráfego de Rede
Contramedida a:
Abuso de acesso a Rede por pessoal interno, Acesso Não Autorizado às Informações, Negação de Serviço - DOS
O que faz:
Restringe acesso a redes, subredes, recursos e serviços da rede a computadores específicos ou outras redes internas ou externas (ex: Internet) por meio de configuração de regras específicas (rules).
Essas configurações devem ser planejadas adequadamente para serem feitas de acordo com a característica dos serviços de rede disponibilizados pelas redes, subredes, dispositivos e servidores, para CONTROLAR, na base do mínimo acesso necessário e NÃO para INDISPONIBILIZAR os serviços a quem precisa.
Como Previne:
Para a garantia do bom funcionamento dos equipamentos de rede (firewalls, servidores de rede, roteadores, bridges, concentradores, switches), sem o comprometimento da segurança, devemos configurá-los para:
· Filtrar tipos de tráfego específicos, incluindo endereços IP, portas TCP ou informações a respeito do estado da comunicação e usuários.
· Bloquear ou restringir tipos particulares de tráfego, principalmente aqueles que podem originar ataques de Negação de Serviço – DOS.
· Limitar o uso de comunicações para evitar abusos.
· Alarmar frente a condições de “overload” (sobrecarga) ou condições anormais.
· “Logar” (gerar registro) dos eventos de forma adequada para posterior leitura e investigação, bem como registrá-los também em outro computador para impedir a “deleção” das pistas após um ataque.
· Manter backup de tabelas e logs de configuração, mantendo-os sob acesso controlado.
· Restringir sua utilização a pessoal autorizado, por exemplo utilizando ferramentas de controle de acesso que possibilitem a geração de logs para auditoria.
· Desabilitar serviços desnecessários, que não são requeridos para a operação da rede.
Criptografia: do Grego Criptós Gráfos (Κρυπτός Γράφος) = Escrita Secreta
Contramedida a:
Roubo de Notebook ou Equipamento Portátil (PDA - ex: Palm, Celular,...), Abuso de acesso a Rede por pessoal interno, Acesso Não Autorizado às Informações, Negação de Serviço - DOS
O que faz:
Sistemas (ou algoritmos como DES, 3DES, RSA, ...) de codificação para embaralhamento e descaracterização de mensagens desenvolvidos desde a antigüidade, muito utilizado durante a 2ª. Guerra Mundial, para a garantia da confidencialidade dos segredos militares.
Estes sistemas permitem que a mensagem seja embaralhada/desembaralhada (criptografada/descriptografada) por meio da custódia (guarda) de Chave(s) Criptografica(s), ou seja um código pessoal específico que permite o retorno da mensagem a sua condição original, impossibilitando a utilização desta em caso de roubo durante a chegada ao destinatário.
Como Previne:
Existem dois tipos de Criptografia, que se caracterizam pela quantidade e guarda das chaves:
Criptografia Simétrica: Uma única Chave Criptográfica mantida entre as partes, Origem (Emissor) e Destino (Receptor) é utilizada para o embaralhamento/desembaralhamento da mensagem.
Criptografia Assimética: Chaves distintas (Publica e Privada) entre as partes são utilizadas para o embaralhamento/desembaralhamento da mensagem, sendo assim o Emissor não possui a Chave Privada (pessoal) do Receptor e vice versa.
Mas cuidado, apesar dos grandes benefícios em termos de confidencialidade, o processo de criptografia pode exigir grande custo de desempenho, tempo de processamento e custo de equipamentos, para isso é IMPORTANTÍSSIMA uma análise muito cautelosa de custo X benefício para a adequada implementação deste tipo de solução.
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Alessandro Manotti, CISA – alessandromanotti@hotmail.com
Profissional há nove anos na área Auditoria de Sistemas e Segurança da Informação, atuando em instituições financeiras e consultorias no Brasil e Exterior.