Segundo dados do TIC Empresas 2008 (estudo feito pelo Núcleo de
Informação e Coordenação do Ponto BR - NIC.br), 21% das empresas
brasileiras que possuem computadores oferecem infra-estrutura para o
trabalho remoto de seus funcionários.
Esse expressivo e crescente número mostra uma tendência que se
justifica por diversos aspectos, nem sempre ligados à tecnologia.
Segundo os responsáveis pelo estudo, fatores como o melhor entendimento
dos benefícios do trabalho remoto, a crescente dificuldade de locomoção
nos grandes centros urbanos, além da popularização e melhoria da
infra-estrutura de banda larga no país, são os principais motivadores
desse método de trabalho.
Porém, analisando o estudo um pouco mais a fundo, percebemos que os
pequenos e médios negócios ficam à margem de mais este recurso
tecnológico: das empresas entrevistadas com até 49 funcionários, apenas
18% possuem infra-estrutura para trabalho remoto, enquanto que nas que
possuem 250 ou mais funcionários, o número triplica, atingindo os 58%!
Mas então, como trazer esse recurso também para realidade do pequeno e médio empreendedor?
Em primeiro lugar, é preciso desmistificar o conceito de trabalho à
distância. Muitos administradores com quem convivo diariamente
consideram a tecnologia de acesso remoto algo complexo e excessivamente
caro. Porém, apoiado por um bom especialista, é possível desempenhar
muitas tarefas fora da sede da empresa aproveitando recursos já
existentes no parque informático, como por exemplo, o acesso remoto ao
e-mail corporativo e o acesso a softwares de produtividade (como
ERP’s), por meio de seções remotas, tecnologia presente Default na
maioria dos Sistemas Operacionais desenvolvidos para Servidores de rede.
Em seguida, é preciso entender que, mesmo estando fisicamente fora,
os computadores remotos fazem parte da rede da empresa e, por isso,
devem estar sob o controle de uma rígida política de segurança, capaz
de proteger o empregador de ameaças virtuais.
Sendo assim, algum investimento será necessário, senão de dinheiro,
ao menos de tempo, para que se possa “pôr no papel” as regras e
políticas dessa metodologia. Dessa forma, é imprescindível que o
administrador pare e pense no próprio negócio: É necessário identificar
quais tarefas que, executadas fora da empresa, trarão um benefício real
ao negócio, pois quando se tem orçamento e tempo restritos, não se pode
investir em algo por simples modismo!
Dicas para um trabalho remoto seguro
- Restringir as tarefas que podem ser realizadas remotamente e o número de funcionários com direito ao recurso;
- Os
profissionais com acesso remoto devem receber treinamento para entender
os riscos aos quais estão expostos no trabalho pela Internet. Dessa
forma, cria-se uma relação de responsabilidade do funcionário para com
a empresa;
- Disponibilizar os computadores (notebooks ou
Desktops) para os funcionários com direito ao trabalho remoto,
possibilita padronizar o uso de sistemas antivírus, antispyware e
firewall pessoal, indispensáveis nessa metodologia;
- Assim
como nos computadores da rede local da empresa, o uso de Sistemas
Operacionais e Antivírus originais e constantemente atualizados, também
é essencial nos computadores remotos;
- Desestimular ou
mesmo impedir o armazenamento de informações corporativas no computador
remoto ou em dispositivos removíveis como Pendrives, garante que os
dados continuarão centralizados no Servidor e vinculados à política de
Backup da empresa;
- Mesmo tendo um número restrito de
funcionários que trabalham remotamente, controlar esse acesso com senha
pessoal e complexa que seja obrigatoriamente trocada com freqüência (é
possível garantir essa característica apenas com o uso de recursos
técnicos);
- Garantir privacidade dos dados durante o
tráfego pela Internet e dificultar interceptações é imprescindível.
Pode-se conseguir essa característica através do uso de recursos
técnicos como VPN (Virtual Private Network) e encripitação de dados,
recursos esses também disponíveis nos principais Sistemas Operacionais
desenvolvidos para Servidores;
- Também com o uso de
tecnologias nativas dos Sistemas Operacionais de Servidor, é possível
disponibilizar para o funcionário remoto um “computador virtual”,
simplificando com isso as questões de armazenamento centralizado e uso
de softwares antivírus;
- Por fim, e também apoiado por um
especialista, garantir que todas as regras de segurança estejam
presentes em um documento formal e assinado por ambas as partes
(empregador e funcionário), desestimula ações mal intencionadas e, em
última análise, pode servir de prova judicial contra um usuário
irresponsável.
*Carlos Augusto Cruz é sócio-diretor da CTECH Informática