Artigo/Notícia:

  Apagão? Que apagão?
  Data:   12/11/2009
  Autor:   Edison Fontes
  Fonte:   IT Web
   
 

- Apagão? Que apagão?
- O apagão dos outros foi maior do que o nosso!
- A culpa foi das adversidades atmosféricas!
- Mas quero que fique claro que não faltou água em Itaipu nem houve falta de linha de transmissão!
- Avião é seguro e cai! Quanto mais um sistema elétrico!
- Foi a principal linha de transmissão!
- Foi um tufãozinho que derrubou uma torre!
- Foram três linhas de transmissão que caíram. Já tinham caído duas mas três ao mesmo tempo, nunca!                                                                 - A disponibilidade do sistema elétrico nos últimos dez anos foi de 99,9999% considerando as residencias.
- Foi um probleminha!
- Esse São Pedro: tem hora que manda água de menos. Tem hora que manda raio de mais!
- Circulando na Internet: Acharam o culpado, foi um excelente estagiário de Itaipu. Terça feira foi o primeiro dia de trabalho dele em Itaipu, teve que terminar um serviço até mais tarde e cumpriu a ordem que recebeu: “Quando for embora, apaga tudo!”

Brincadeiras, frases verdadeiras ditas por altas autoridades, frases ditas diferentes mas com o sentido das descritas acima: esse é o ambiente aos uma falta de luz (como se dizia antigamente) que afetou dezoito estados da federação incluindo o Distrito Federal e afetou milhões de pessoas.

Uma coisa é certa: não estão tratando profissionalmente o assunto. Situações de contingências podem acontecer, mas planos de continuidade são feitos para minimizar o efeito dessas situações. Caso existisse um plano,o mesmo  não funcionou ou não foi eficaz!

Discussões sobre contingências se fazem antes da contingência, porque quando a contingência chega, principalmente em um assunto e serviço cheio de interesses políticos, vira um salve-se quem puder.

Mesmo sem a disponibilização da informação correta do que exatamente aconteceu, uma coisa é certa: não se planejou e executou o planejado de maneira correta para situações de contingência. Pessoalmente acredito que os técnicos sabiam as vulnerabilidades, tinham conhecimento paradesenvolver alternativas e sabiam como implantar ações para situações de contingência. A dúvida fica: por que não foi feito? Questões políticas?  Acomodação? Deixa para lá?

Uma situação menor mais preocupante em relação à responsabilização e planejamento: a Cidade de São Paulo sofreu falta de água porque estações da SABESP pararam de funcionar com a falta de energia elétrica! Poxa! Mais um conjunto de ameaça e risco não tratado profissionalmente. Com os geradores existentes atualmente, não se pode aceitar que um serviço público, crítico para a população possa parar porque o local ficou seis horas sem energia elétrica.

Situações de extrema exceção e de extrema coincidência de várias falhas e de extrema coincidência de situações adversas podem acontecer. Mas, aparentemente, não foi o caso!

Desta maneira, importa que lições sejam aprendidas e erros não repetidos. Para isso, sem medo de ser feliz, tem que haver transparência no que aconteceu e decisão de planejar, executar e monitorar. Garantir qualidade e segurança é responsabilidade do gestor da organização ou da nação!

Edison Fontes, CISM, CISA.
Consultor, Professor e Autor de Livros de Segurança da Informação.
Núcleo Inteligência. Participa ABSEG, ISACA e InfoSecCouncil.

edison@pobox.com

“Não falem nada antes de ter certeza!”, Presidente Lula, em 11/11/2009, no dia seguinte ao apagão.

       
       
                    
       
 

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